quarta-feira, 11 de março de 2026

Morte de trabalhador atacado por pitbull em Extremoz é investigada pela Polícia Civil; tutora do animal segue presa

A Polícia Civil do Rio Grande do Norte segue investigando as circunstâncias da morte do trabalhador Francisco Paulo, de 62 anos, que foi atacado por um cachorro da raça pitbull no município de Extremoz, na Região Metropolitana de Natal. A tutora do animal foi presa temporariamente no último domingo e permanece à disposição da Justiça enquanto as apurações continuam.
De acordo com a delegada responsável pelo caso, Ana Beatriz Alves, a mulher afirmou em depoimento que o ataque teria ocorrido de forma acidental. Segundo a versão apresentada por ela, o cachorro estava preso em um quarto da residência, mas teria conseguido escapar sozinho.
Ainda conforme o relato da suspeita, o animal, considerado de grande porte, teria conseguido abrir a porta do cômodo e atravessar uma janela de vidro que dava acesso ao quintal da casa. No momento do ataque, Francisco Paulo trabalhava no local.
Um dos pontos que chama a atenção dos investigadores é o tempo entre o momento em que a vítima foi encontrada gravemente ferida e o acionamento do socorro. Informações obtidas pela polícia indicam que a mulher teria feito uma chamada de vídeo para a irmã às 12h08, mostrando o trabalhador ferido e ainda com vida.
No entanto, o contato com o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) só teria ocorrido por volta das 12h29, cerca de 20 minutos depois. A demora no pedido de socorro também está sendo analisada pelas autoridades.
Outro aspecto que está sendo investigado é a possibilidade de motivação racista. Mensagens enviadas pela suspeita para familiares teriam incluído ofensas direcionadas à vítima. Em uma delas, o trabalhador foi chamado de “verme”.
Segundo relato de uma policial militar que atendeu a ocorrência, ao ser questionada sobre a expressão, a mulher teria feito referência à cor da pele da vítima e também teria afirmado que o trabalhador “estava fedendo”. Essas declarações passaram a fazer parte da linha de investigação conduzida pela Polícia Civil.
Enquanto o caso é apurado, a tutora do animal permanece presa temporariamente.
O pitbull envolvido no ataque foi recolhido e encaminhado para uma instituição especializada. O resgate foi realizado por um adestrador, e o animal deverá passar por avaliação comportamental e um processo de ressocialização, devido ao histórico de agressividade.
A Polícia Civil continua reunindo provas e ouvindo testemunhas para esclarecer completamente o caso.