terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

“Querem me matar”, diz argentina acusada de injúria racial ao relatar ameaças e pedir para deixar o Brasil

A advogada argentina Agostina Páez, de 29 anos, ré em um processo por injúria racial, afirmou estar vivendo sob forte tensão psicológica após o episódio ocorrido em um bar de Ipanema, no Rio de Janeiro. Em entrevista recente, ela declarou estar recebendo ameaças de morte, disse temer pela própria segurança e relatou que não consegue sair de casa. “Querem me matar… há muita crueldade”, afirmou.
Segundo Agostina, a repercussão do caso teria extrapolado os limites do processo judicial, transformando sua rotina em um cenário de medo constante. Diante da situação, familiares viajaram da Argentina ao Brasil para acompanhá-la e oferecer apoio emocional.
Por decisão da Justiça brasileira, a advogada está monitorada por tornozeleira eletrônica e impedida de deixar o país enquanto o processo tramita. A defesa chegou a pedir a revogação das medidas cautelares, alegando risco à integridade física da acusada, mas até o momento a solicitação não foi atendida.
Entenda o caso
O episódio que deu origem à ação penal ocorreu após uma discussão envolvendo a conta de consumo em um bar localizado em Ipanema. De acordo com a Polícia Civil, durante o desentendimento, Agostina teria feito gestos imitando um macaco e proferido ofensas contra um funcionário negro do estabelecimento.
Em depoimento, a argentina negou qualquer intenção racista. Ela sustenta que o gesto imitando um primata teria sido uma brincadeira direcionada às amigas, e não ao funcionário. No entanto, o Ministério Público afirma possuir provas e testemunhas que contradizem essa versão e reforçam a acusação de injúria racial.
Processo segue em andamento
O caso segue sob análise da Justiça, e Agostina permanece no Brasil cumprindo as determinações judiciais. A situação reacendeu debates sobre racismo, responsabilização penal, exposição pública de acusados e o impacto das redes sociais em casos de grande repercussão.
Enquanto isso, a defesa insiste que a cliente sofre uma espécie de “pena social antecipada”, enquanto movimentos antirracistas destacam a importância da responsabilização rigorosa em crimes dessa natureza.