segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Indústria do Mercosul cobra avanços na integração produtiva e mira mais competitividade global

O Conselho Industrial do Mercosul (CIM) divulgou uma declaração conjunta com recomendações aos governos dos países do bloco para fortalecer a integração produtiva, ampliar a presença internacional e aumentar a competitividade da indústria regional. O documento foi apresentado durante o Fórum Econômico Internacional da América Latina e Caribe, realizado no Panamá, e reflete a posição das entidades industriais da Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai.
A declaração foi debatida em reunião promovida pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), dentro da programação do fórum, que reuniu lideranças empresariais e institucionais de diversos países. Entre os participantes esteve o presidente da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Norte (Fiern), Roberto Serquiz, que integrou a missão empresarial organizada pela CNI.
Para Serquiz, o fortalecimento da indústria de transformação é um ponto central para impulsionar a economia brasileira e ampliar a competitividade do país no cenário internacional. Segundo ele, a participação no evento reforça a necessidade de o Brasil diversificar mercados e ampliar sua inserção global. “O país precisa expandir sua atuação internacional, e o Rio Grande do Norte tem potencial para contribuir de forma efetiva nesse movimento”, destacou.
Na avaliação do CIM, a integração econômica regional é fundamental para ampliar oportunidades de comércio e investimentos, estimular a inovação e promover o desenvolvimento sustentável. O conselho aponta que esse esforço se torna ainda mais relevante diante de um cenário internacional marcado por tensões geopolíticas, reorganização das cadeias produtivas globais e desafios relacionados à transição energética.
O documento ressalta o papel estratégico do Brasil dentro do Mercosul, destacando o país como o principal exportador de bens no comércio intrarregional da América Latina. Entre as prioridades defendidas pelo conselho está o avanço da agenda externa do bloco, com apoio à assinatura e à implementação do acordo entre Mercosul e União Europeia, além de negociações com a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA) e Singapura.
Outro ponto enfatizado é a necessidade de ampliar o diálogo entre governos e setor produtivo para a definição das prioridades nas negociações comerciais, bem como reduzir barreiras ao comércio dentro do próprio Mercosul. O texto também defende medidas para simplificar normas, fortalecer cadeias produtivas regionais e ampliar a participação de pequenas e médias empresas no comércio regional e global.
As entidades industriais que compõem o CIM afirmaram ainda o compromisso de atuar de forma coordenada com os governos do bloco, estabelecendo um cronograma de ações e metas concretas para elevar a competitividade do Mercosul no comércio internacional.
A reunião integrou a Missão Empresarial ao Fórum Econômico Internacional da América Latina e Caribe, liderada pela CNI, que reuniu mais de 100 empresários brasileiros no Panamá, entre os dias 27 e 30. Durante o evento, também foi lançada uma consulta empresarial para identificar os principais desafios que limitam a participação feminina no comércio exterior na região. A iniciativa é coordenada pelo Fórum Nacional da Mulher Empresária (FNME), em parceria com o Banco de Desenvolvimento da América Latina e do Caribe (CAF) e a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).