O desfile da escola Acadêmicos de Niterói, que abriu o grupo especial do Carnaval do Rio de Janeiro no último domingo (15), colocou o nome do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no centro de um novo debate político.
A agremiação levou para a avenida um samba-enredo em homenagem à trajetória do petista. O refrão incluiu o tradicional coro “Olê, olê, olê, olá / Lula, Lula”, além de referências à infância do presidente, mencionando as “treze noites, treze dias” da viagem de Pernambuco a São Paulo — alusão também ao número 13, associado ao Partido dos Trabalhadores (PT).
O enredo ainda trouxe um trecho interpretado como crítica indireta ao ex-presidente Jair Bolsonaro, ao citar “sem mitos falsos, sem anistia”.
Acusações de campanha antecipada
A escolha do tema em ano de disputa presidencial gerou reação de parlamentares da oposição, que apontaram possível campanha eleitoral antecipada. Também houve questionamentos sobre o financiamento público destinado às escolas do grupo especial.
A Acadêmicos de Niterói recebeu R$ 1 milhão do governo federal — valor idêntico ao repassado às demais escolas do grupo especial. Somando verbas estaduais e municipais, o financiamento público total pode se aproximar de R$ 10 milhões.
O Partido Novo acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para tentar impedir a homenagem, mas a Corte rejeitou o pedido, entendendo que a proibição configuraria censura.
Risco de implicações eleitorais
Apesar de negar a suspensão do desfile, ministros do TSE alertaram para a possibilidade de eventuais excessos configurarem crime eleitoral. A presidente da Corte, Cármen Lúcia, afirmou que o Carnaval não pode servir como brecha para ilícitos eleitorais e destacou que a anunciada participação de Lula no evento poderia representar risco concreto de irregularidades.
Especialistas apontam que, caso haja comprovação de abuso de poder político ou econômico, a candidatura à reeleição poderia sofrer questionamentos futuros. No entanto, até o momento, não há decisão que torne o presidente inelegível.
O episódio reforça o clima de polarização política que já marca o cenário pré-eleitoral no país, ampliando o debate sobre os limites entre manifestação cultural e propaganda eleitoral.