Um episódio ocorrido em uma escola cívico-militar em São Paulo reacendeu o debate nacional sobre a eficácia desse modelo de ensino. Durante uma atividade com comandos básicos, militares responsáveis pela instrução escreveram de forma incorreta palavras elementares da língua portuguesa, o que gerou ampla repercussão nas redes sociais e críticas de educadores.
No quadro utilizado na atividade, as palavras “Descansar” e “Continência” apareceram grafadas de maneira errada. Foram registrados os termos “Descançar”, com uso indevido da cedilha, e “Continêcia”, sem a letra “n” antes do “c”. Dos três comandos apresentados, dois continham erros ortográficos.
Questionado sobre o caso, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, minimizou a situação ao afirmar: “quem não erra?”. A declaração, no entanto, não foi suficiente para conter as críticas, que se intensificaram especialmente entre profissionais da educação e especialistas em políticas públicas.
Para os críticos do modelo cívico-militar, o episódio evidencia fragilidades na proposta pedagógica dessas instituições. Segundo eles, há uma ênfase excessiva na disciplina e na hierarquia, em detrimento do processo educacional, da formação crítica e da valorização do conhecimento acadêmico.
O caso também reforçou argumentos de quem defende a extinção das escolas cívico-militares, apontando que a presença de militares sem formação pedagógica adequada pode comprometer a qualidade do ensino. Para esses setores, educação exige preparo técnico, domínio de conteúdo e métodos didáticos, e não apenas rigor disciplinar.
O episódio segue repercutindo e alimenta um debate mais amplo sobre qual deve ser o papel do Estado na educação pública e quais modelos realmente contribuem para a formação integral dos estudantes brasileiros.