Um parto ocorrido na madrugada desta sexta-feira (30) na maternidade pública Arakén Irerê Pinto, em Natal, gerou revolta e levantou questionamentos sobre a assistência prestada à gestante. A bebê nasceu durante o deslocamento da mãe para a sala de parto e acabou caindo no chão logo após o nascimento, por volta de 0h15.
O pai da criança, Raniere Sousa Lima, afirma que houve negligência por parte da unidade de saúde. Segundo ele, a esposa já se encontrava em fase ativa do trabalho de parto, com seis centímetros de dilatação e fortes dores, quando deu entrada na maternidade.
De acordo com o relato do pai, mesmo diante do quadro avançado, a equipe médica avaliou que o parto não ocorreria naquele momento. A gestante chegou a ser acomodada em um leito, mas, posteriormente, foi transferida para outro setor da unidade.
“O maqueiro, em vez de trazer uma maca, trouxe uma cadeira de rodas. Durante esse trajeto, o parto aconteceu de forma repentina, a bebê foi expelida e caiu no chão”, relatou Raniere, visivelmente abalado.
Ele descreveu a cena como traumática e afirmou que a médica acompanhava o deslocamento no momento do nascimento. Segundo o pai, o cordão umbilical se rompeu com a queda. Familiares que acompanhavam a gestante também passaram mal diante da situação.
Versão da Secretaria de Saúde
Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde de Natal (SMS) informou que a gestante apresentou uma evolução rápida e inesperada do trabalho de parto, caracterizada como parto taquitócico ou precipitado, quando o nascimento ocorre de forma acelerada, fora do padrão esperado.
Ainda segundo a SMS, a paciente chegou à maternidade em trabalho de parto ativo, com seis centímetros de dilatação, sem ruptura da bolsa amniótica e dentro dos parâmetros considerados normais para a fase gestacional. A secretaria afirmou que a gestante esteve assistida pela equipe durante todo o processo e que os cuidados pós-parto foram realizados tanto com a mãe quanto com a recém-nascida.
Exames e estado de saúde da bebê
Após o nascimento, a bebê foi encaminhada ao Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel para realização de exames de tomografia. No entanto, o equipamento da unidade estava inoperante, o que levou à transferência da criança para o Hospital Deoclécio Marques, em Parnamirim, onde o exame foi finalmente realizado.
Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, a recém-nascida passou por avaliação médica completa, não apresentando lesões nem sequelas, e segue em acompanhamento clínico.
Família questiona procedimento
Para o pai, o protocolo adotado durante a transferência da gestante foi inadequado. “Uma mulher em trabalho de parto não deveria ser levada em cadeira de rodas. O correto seria uma maca, justamente para evitar esse tipo de situação”, afirmou.
O caso reacende o debate sobre protocolos de segurança, estrutura das maternidades públicas e a importância de uma avaliação criteriosa em partos de evolução rápida, sobretudo para evitar riscos à vida da mãe e do recém-nascido.